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A espasticidade muscular é um problema clínico que afeta milhões de pessoas no mundo e está frequentemente associada a doenças neurológicas como o acidente vascular cerebral (AVC), a paralisia cerebral e a esclerose múltipla. Essa condição não se limita a impactar a mobilidade do indivíduo; ela interfere na qualidade de vida, restringe a autonomia e aumenta o risco de complicações secundárias, como contraturas e dor crônica 1. A seguir, discutiremos os tipos de espasticidade, suas causas e os tratamentos mais eficazes.
A espasticidade muscular é um distúrbio do tônus muscular caracterizado pela contração involuntária e sustentada dos músculos. Isso ocorre devido a lesões no sistema nervoso central (SNC), que comprometem o equilíbrio entre os sinais excitatórios e inibitórios responsáveis pelo controle do movimento. Como resultado, os músculos recebem estímulos anormais, tornando-se excessivamente rígidos. Segundo o Hospital Israelita Albert Einstein, a espasticidade é um sinal clínico comum em doenças neurológicas e pode ser desencadeada por AVC, traumatismo cranioencefálico e esclerose múltipla 1.
Os sintomas incluem rigidez muscular, dificuldade para realizar movimentos suaves e presença de reflexos anormais, como espasmos. Esses sinais afetam não apenas a mobilidade, mas também o desempenho em tarefas básicas, como caminhar ou segurar objetos. Estudos apontam que entre 20% e 43% das pessoas que sofrem um AVC desenvolvem espasticidade em algum grau. Além disso, pacientes com esclerose múltipla ou lesões medulares apresentam alta prevalência desse distúrbio 2, 3.
O diagnóstico da espasticidade requer avaliação clínica detalhada e, em casos mais complexos, exames complementares. De acordo com revisões científicas recentes, avanços na tecnologia, como dispositivos de medição quantitativa, têm contribuído para diagnósticos mais precisos, permitindo intervenções personalizadas e eficazes 4.
A espasticidade pode ser classificada em diferentes categorias, dependendo da gravidade, da extensão e das áreas do corpo afetadas. Conhecer o tipo específico é crucial para planejar um tratamento eficaz 3.
A espasticidade focal é amplamente documentada em pacientes com AVC. Segundo estudos publicados no PubMed, os casos leves podem ser tratados com terapias físicas, enquanto injeções de medicamentos são indicadas para rigidez mais acentuada. Essas injeções reduzem a hiperatividade muscular e melhoram a função de forma localizada 3.
Pacientes com espasticidade regional geralmente requerem tratamento combinado. Segundo as diretrizes brasileiras de reabilitação pós-AVC, a associação de fisioterapia com medicamentos sistêmicos, como relaxantes musculares, ajuda a reduzir a rigidez e a prevenir complicações 2.
Em casos de espasticidade generalizada, as intervenções precisam ser mais agressivas. Segundo estudos recentes, além de medicamentos e fisioterapia, procedimentos cirúrgicos, como rizotomia dorsal seletiva, podem ser recomendados para reduzir a rigidez e melhorar a mobilidade 3, 4.
O tratamento da espasticidade exige uma abordagem integrada, envolvendo diagnóstico preciso, terapias físicas e intervenções farmacológicas ou cirúrgicas. Cada tipo de espasticidade requer estratégias específicas.
O diagnóstico é o ponto de partida para um tratamento bem-sucedido. Avanços na tecnologia de avaliação, como dispositivos quantitativos, têm permitido medições mais detalhadas do tônus muscular. Esses métodos ajudam a diferenciar a espasticidade de outras condições neuromusculares, como contraturas permanentes. Segundo um estudo publicado no Frontiers in Neurology, essas ferramentas são especialmente úteis para pacientes com espasticidade generalizada, em que o padrão de rigidez é mais complexo 4.
As terapias não farmacológicas são essenciais para reduzir a rigidez e melhorar a funcionalidade 2, 3.
Entre as abordagens mais recomendadas estão:
Os medicamentos são fundamentais para o manejo de espasticidade, de moderada a severa 3. Eles incluem:
Em casos graves e refratários, as opções cirúrgicas são consideradas. A rizotomia dorsal seletiva, por exemplo, é um procedimento que reduz a espasticidade ao cortar fibras nervosas específicas. Estudos indicam que essa técnica melhora significativamente a mobilidade em pacientes com espasticidade generalizada severa, embora os riscos sejam maiores 2, 3.
A reabilitação contínua é indispensável para manter os ganhos terapêuticos e prevenir complicações. De acordo com o Ministério da Saúde, o tratamento da espasticidade deve incluir uma abordagem multidisciplinar, envolvendo neurologistas, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. Essa equipe trabalha em conjunto para criar um plano personalizado, focado em melhorar a mobilidade e reduzir limitações funcionais 2.
Pacientes com AVC, por exemplo, enfrentam desafios contínuos devido à rigidez muscular progressiva. Um estudo publicado na Revista de Enfermagem USP destaca que programas intensivos de reabilitação reduzem a severidade da espasticidade e melhoram a funcionalidade geral. Esses programas incluem fisioterapia diária, uso de tecnologias assistivas e suporte psicológico, essenciais para a adesão ao tratamento 5.
Além disso, a reabilitação é crucial para evitar complicações secundárias, como deformidades permanentes ou úlceras de pressão. Segundo revisões científicas, pacientes que recebem reabilitação regular apresentam maiores taxas de recuperação funcional e menor necessidade de intervenções cirúrgicas 4, 5.
Entender os tipos de espasticidade muscular e suas opções de tratamento é essencial para otimizar a qualidade de vida dos pacientes. A identificação precoce do tipo de espasticidade e o uso de tecnologias modernas de diagnóstico permitem tratamentos mais eficazes 2, 6.
No Brasil, onde o AVC é uma das principais causas de mortalidade e incapacitação, a reabilitação contínua é fundamental. Uma abordagem integrada que combine terapias físicas, medicamentos e suporte psicológico oferece aos pacientes a oportunidade de recuperar a autonomia e reduzir as limitações funcionais 2, 6.
Com o avanço das pesquisas e inovações tecnológicas, o futuro do manejo da espasticidade se mostra promissor. No entanto, a adesão ao tratamento e a continuidade dos cuidados são fatores determinantes para o sucesso a longo prazo 2, 6.
Referências:
1- Guia de doenças e sintomas: espasticidade no adulto
https://www.einstein.br/doencas-sintomas/espasticidade-no-adulto. Acesso em Jan. 2025.
2- Governo Federal: Diretrizes – Atenção à Reabilitação da Pessoa com Acidente Vascular Cerebral
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-pessoa-com-deficiencia/publicacoes/diretrizes-de-atencao-a-reabilitacao-da-pessoa-com-acidente-vascular-cerebral.pdf/view. Acesso em Jan. 2025.
3- The management of spasticity in adults
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25096594. Acesso em Jan. 2025.
4- Quantitative assessment of spasticity: a narrative review of novel approaches and technologies
https://doi.org/10.3389/fneur.2023.1121323. Acesso em Jan. 2025.
5- Estado Neurológico e Cognição de Pacientes Pós-Acidente Vascular Cerebral
https://www.scielo.br/j/reeusp/a/cNjzTcY9zGyTg7tM4gqv6xt/. Acesso em Jan. 2025.
6- Valor: No Brasil, 342 vidas são perdidas por dia para o AVC
https://valor.globo.com/patrocinado/dino/noticia/2024/06/26/no-brasil-343-vidas-sao-perdidas-por-dia-para-o-avc.ghtml. Acesso em Jan. 2025.
Nov/24 | ALLSC-BR-000500
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