Blog / O impacto do AVC na visão: como identificar e tratar alterações visuais

O impacto do AVC na visão: como identificar e tratar alterações visuais

Entenda como o AVC pode afetar a visão e quais estratégias ajudam no diagnóstico e na reabilitação visual dos pacientes

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das principais causas de deficiência adquirida no mundo. Seus impactos vão além da perda motora ou da fala. Muitas pessoas não sabem que o AVC também pode comprometer a visão. Esse efeito, embora menos conhecido, pode ser altamente incapacitante. Segundo as diretrizes do Ministério da Saúde, alterações visuais são comuns após o AVC, mas muitas vezes não recebem a devida atenção clínica. 2

Cerca de dois terços dos pacientes com AVC apresentam algum tipo de comprometimento visual. Isso afeta sua mobilidade, segurança, independência e capacidade de participar da reabilitação. Apesar disso, o tratamento dessas alterações segue sendo irregular nos serviços de saúde. 2

A detecção precoce é essencial. Com estratégias de reabilitação adequadas, é possível restaurar ou compensar parte da função visual e melhorar a qualidade de vida dos pacientes afetados. 2

Como o AVC afeta a visão? 1, 2, 3

O AVC ocorre quando há uma interrupção do fluxo sanguíneo em uma área do cérebro. Quando isso afeta regiões ligadas à visão, surgem déficits visuais, mesmo que os olhos estejam saudáveis. O problema está na interpretação cerebral das imagens. 1

Um dos quadros mais comuns é a hemianopsia homônima, que causa perda parcial ou total de um lado do campo visual em ambos os olhos. De acordo com pesquisa publicada na Neurological Sciences, até 57% dos sobreviventes de AVC desenvolvem esse tipo de deficiência visual. Em torno de 8 a 10% dos casos permanecem com a hemianopsia de forma permanente. 1

Esses problemas não são detectáveis em exames oftalmológicos de rotina, pois os olhos funcionam normalmente. A falha está na forma como o cérebro processa as imagens. 1

Além disso, os sintomas variam conforme a área cerebral afetada, o que influencia o tipo e a intensidade da perda visual. 3

Problemas de visão mais comuns pós-AVC:

  • Hemianopsia: perda de metade do campo visual. 1
  • Quadrantanopsia: perda de um quarto do campo visual. 2
  • Escotomas: áreas cegas no campo de visão. 2
  • Déficits de percepção visual: dificuldade para reconhecer objetos ou interpretar o ambiente. 3

Quer entender como o AVC afeta outras áreas da vida do paciente ou da paciente?
Baixe o Guia prático de reabilitação Pós-AVC.


Principais sinais e sintomas de alterações visuais pós-AVC 3

Muitas vezes, a pessoa que sofreu um AVC não percebe que perdeu parte da visão. Isso ocorre porque o cérebro tenta compensar a deficiência de forma inconsciente. Por isso, é essencial que familiares, cuidadores e profissionais de saúde fiquem atentos a certos sinais. 3

Os sintomas mais comuns são:

  • Colidir com móveis ou obstáculos ao andar. 3
  • Perder o início ou o fim das linhas ao ler. 3
  • Ignorar pessoas ou objetos de um lado. 3
  • Ter dificuldade para se locomover em ambientes movimentados. 3
  • Apresentar visão dupla ou sensação de desorientação. 3

Muitos desses sintomas só se revelam após a alta hospitalar, quando o paciente volta à rotina. Testes específicos de triagem visual são indispensáveis, mesmo na ausência de queixas. Detectar esses sinais cedo pode evitar complicações e acelerar a adaptação à nova realidade. 3

Tipos de alterações visuais pós-AVC e suas implicações 1, 3

As alterações visuais após um AVC podem ser diversas. Cada uma impacta a rotina de maneiras diferentes. 3

  • Hemianopsia: dificulta a leitura, a navegação em espaços e atividades como dirigir ou cozinhar. 1
  • Negligência visual: o paciente ignora objetos e estímulos de um lado do campo visual, geralmente o esquerdo. Isso pode levá-lo a esbarrar em coisas ou não perceber pessoas ao redor. 3
  • Déficits oculomotores: como o nistagmo, que causa movimento involuntário dos olhos, dificultando o foco e a leitura. 3
  • Problemas de percepção visual: dificultam reconhecer rostos, cores ou objetos, afetando tarefas simples do dia a dia. 3

Estudos mostram que técnicas como a varredura visual ajudam a melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Elas treinam o cérebro a compensar o campo visual perdido, gerando melhorias funcionais e até mudanças cerebrais observáveis em exames. 1

A estimulação audiovisual também tem bons resultados, especialmente em casos de hemianopsia, ao envolver regiões cerebrais como o colículo superior. 1

Como é feito o diagnóstico das alterações visuais 3

A avaliação visual deve ser feita ainda durante a internação por um ortoptista ou profissional treinado da equipe de AVC. Isso ajuda a evitar que alterações visuais passem despercebidas. Mesmo que o paciente não se queixe de visão, o problema pode existir. 3

Entre os principais métodos de diagnóstico estão:

  • Testes de triagem visual. 3
  • Campimetria (teste do campo visual). 3
  • Observação funcional durante as atividades diárias. 3

Caso a triagem não ocorra no hospital, o paciente deve procurar um oftalmologista ou optometrista após a alta. Quanto mais cedo for identificado o déficit, mais eficaz será o processo de adaptação e reabilitação. 3

Estratégias e abordagens de tratamento 1, 3

a) Treinamentos compensatórios com estímulos audiovisuais

A estimulação audiovisual usa sons e imagens para ativar áreas cerebrais que ainda funcionam, como o colículo superior. Essa técnica melhora a precisão na busca visual e reduz o tempo de resposta. Estudos mostram que o treino repetido aumenta a sensibilidade dos neurônios, reforçando funções visuais compensatórias. 1

Pacientes que passaram pelo Treinamento Audiovisual (AVT) conseguiram compensar melhor sua perda de campo visual. Além disso, apresentaram reorganização funcional do sistema ocular e melhora na percepção, mesmo sem recuperar a área visual perdida. 1

b) Técnicas de exploração visual

O treino de varredura visual ensina o paciente a movimentar os olhos de forma estratégica, aumentando a percepção do campo afetado. Ele ajuda em tarefas como leitura, localização de objetos e navegação em ambientes. 1

  • O AVT combinado ao treino ocular voluntário mostrou melhores resultados funcionais. 1
  • Programas como EyeSearch e ReadRight, disponíveis para celulares, auxiliam a prática em casa, com exercícios online gratuitos. 3

c) Uso de dispositivos ópticos e adaptativos

O uso de tecnologias pode melhorar a funcionalidade visual no dia a dia. Entre os recursos disponíveis estão:

  • Lentes com prismas para ampliar o campo de visão. 3
  • Lupas e telescópios para melhorar a leitura e a visão a distância. 3
  • Iluminação especial e cores contrastantes para facilitar a localização de objetos. 3

Terapeutas ocupacionais e ortoptistas ajudam a escolher as melhores adaptações para cada paciente. 3

Reabilitação interdisciplinar e suporte ao paciente 2

A reabilitação visual exige uma equipe multidisciplinar. Neurologistas, oftalmologistas, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, ortoptistas e fonoaudiólogos trabalham juntos para montar um plano individualizado para cada paciente. 2

O envolvimento da família é fundamental. Muitas vezes o paciente não percebe as próprias limitações visuais. Ao entender os déficits e as estratégias de adaptação, os cuidadores ajudam a garantir mais segurança e adesão ao tratamento. 2

É importante também cuidar do lado emocional. A perda visual pode gerar ansiedade, depressão e isolamento social. Incluir apoio psicológico faz parte de uma abordagem completa e humanizada. 2

Prognóstico e possibilidades de recuperação visual 1, 2

Alguns pacientes podem ter melhora espontânea da visão nas primeiras semanas, graças à reorganização cerebral. 2

No entanto, a intensidade da reabilitação influencia muito os resultados. 2

Pesquisas mostram que os efeitos positivos do treinamento audiovisual duram até um ano. Houve melhora na exploração visual e nas tarefas diárias, além de ganhos estáveis nas avaliações de seguimento. 1

Quanto mais cedo começar a reabilitação, maior a chance de recuperar funções visuais e de viver com mais autonomia. 2

Dicas práticas para o dia a dia 3

Pequenas mudanças podem trazer grandes melhorias:

  • Use réguas ou marcadores na leitura para manter o foco na linha. 3
  • Mantenha a casa organizada e com poucos objetos visíveis. 3
  • Aposte em iluminação forte e cores contrastantes. 3
  • Use bastões ou bengalas para sinalizar a deficiência visual. 3
  • Adapte celulares e computadores com leitores de tela e letras ampliadas. 3

Profissionais de reabilitação visual podem ajudar na escolha e no uso dessas estratégias. 3

Conclusão: a importância do cuidado com a visão pós-AVC 2, 3

As alterações visuais após o AVC são comuns, mas muitas vezes negligenciadas. Elas impactam diretamente a recuperação funcional e a qualidade de vida. Por isso, é essencial incluir a avaliação visual no protocolo de reabilitação neurológica. 2

A conscientização de profissionais e familiares faz toda a diferença. Explicar aos outros sobre os desafios visuais pode melhorar o apoio no dia a dia. Com técnicas adequadas, apoio profissional e adaptação, é possível recuperar a confiança e conquistar mais autonomia. 3


Referências

1- Alwashmi, Kholoud; Meyer, Georg; Rowe, Fiona J. Audio‑visual stimulation for visual compensatory functions in stroke survivors with visual field defect: a systematic review. Neurological Sciences. 2022. Link: https://link.springer.com/article/10.1007/s10072-022-05926-y. Acesso em Dez. 2025. SpringerLink

2- Governo Federal (Ministério da Saúde). Diretrizes – Atenção à Reabilitação da Pessoa com Acidente Vascular Cerebral. 2025. Link: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-pessoa-com-deficiencia/publicacoes/diretrizes-de-atencao-a-reabilitacao-da-pessoa-com-acidente-vascular-cerebral.pdf/view. Acesso em Dez. 2025.

3- Stroke Association (Reino Unido). Vision problems after stroke. 2025. Link: https://www.stroke.org.uk/stroke/effects/physical/vision-problems-after-stroke. Acesso em Dez. 2025.


ALLSC-BR-000854

FALE CONOSCO

Entre em contato conosco através deste formulário

    Política de Privacidade

    Controlador de dados: Ipsen Pharma SAS (dataprivacy@ipsen.com). Suas informações pessoais serão processadas apenas para os fins legítimos da Ipsen, ou seja, ter uma interação melhor com você. Suas Informações Pessoais não serão vendidas, compartilhadas ou de outra forma distribuídas a terceiros sem o seu consentimento, exceto quando formos obrigados a fazê-lo devido a uma lei aplicável, ordem judicial ou regulamento governamental, ou se tal divulgação for necessária em apoio a qualquer investigação criminal ou outra legal ou processo aqui ou no estrangeiro. Você tem o direito de acesso, correção, exclusão, restrição e objeção ao uso de suas Informações Pessoais.​