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O AVC afeta muitos idosos e traz impacto profundo na vida, mas entender seus riscos e formas de prevenção permite reduzir complicações e apoiar o envelhecimento com mais segurança e qualidade
O acidente vascular cerebral acontece quando o sangue deixa de alcançar uma parte do cérebro. Segundo estudo do PLOS ONE, o AVC isquêmico aparece com grande frequência entre pessoas idosas porque o corpo envelhece e os vasos sanguíneos sofrem alterações com o tempo. O AVC causa grande impacto na vida das pessoas, nas famílias e nos sistemas de saúde, já que pode provocar limitações permanentes e morte.
A pesquisa também destaca que o AVC ocupa posição entre as principais causas globais de morte e incapacidade. O tipo isquêmico representa a maioria dos casos e ocorre quando o fluxo de sangue para o cérebro se bloqueia, o que gera morte das células. O mesmo estudo reforça que criar estratégias de prevenção ajuda a reduzir esse grande peso na população idosa. 2
Segundo o estudo citado acima, o número de idosos que sobreviveram a um AVC isquêmico cresceu muito nas últimas décadas. O total passou de 20,1 milhões para 45,52 milhões. O estudo relaciona esse aumento ao crescimento da população idosa, que é hoje o principal fator que explica a carga mundial da doença. A pesquisa mostra ainda que homens apresentam índices maiores de mortalidade e incapacidade do que mulheres. Além disso, regiões com menor desenvolvimento socioeconômico sofrem mais e apresentam maior número de casos e mortes. 2

O mesmo estudo prevê que, até 2050, a quantidade de idosos com AVC isquêmico pode dobrar. A pesquisa estima que a prevalência chegará a 115,7 milhões. Os números de incidência, mortalidade e anos vividos com incapacidade também devem aumentar mais de duas vezes. Segundo os pesquisadores, esses dados reforçam a necessidade de preparar sistemas de saúde e políticas públicas para lidar com os desafios futuros. 2
De acordo com estudo da American Heart Association, alimentos como ovos e carnes vermelhas podem aumentar substâncias que favorecem doenças vasculares. O estudo explica que esses alimentos contêm compostos que o corpo transforma em TMAO, ligado a maior risco de AVC. A pesquisa mostra que pacientes com níveis altos de TMAO tiveram risco 2,5 vezes maior de AVC, infarto ou morte vascular. O mesmo estudo relata que trocar carne vermelha por carnes brancas ou dieta sem carne reduz esses níveis. 1
O estudo também aponta que os rins eliminam esses compostos tóxicos. Porém, com o avanço da idade, a função renal diminui. Segundo essa pesquisa, pessoas com função renal mais baixa têm maior acúmulo dessas substâncias, o que reforça a necessidade de evitar ovos e reduzir carne vermelha entre adultos mais velhos. 1
O Cleveland Clinic Journal of Medicine explica que alguns fatores de risco clássicos ganham ainda mais importância na velhice. Entre eles, a hipertensão aparece como o mais marcante. Segundo a pesquisa, a pressão alta pode aumentar o risco de AVC em até sete vezes. A mesma fonte relata que reduzir a pressão pode diminuir o risco do primeiro AVC em até 60% quando se alcança níveis normais. 3
A mesma fonte citada acima também destaca que o diabetes aumenta o risco de AVC em três vezes, mesmo quando se consideram outros fatores como tabagismo e colesterol. O estudo também mostra que a fibrilação atrial aumenta em cinco vezes o risco de AVC, mas o uso de varfarina reduz esse risco de modo significativo. Além disso, estatinas diminuem o risco de AVC em até 26%. 3
Para facilitar, veja os principais fatores de risco citados pelas pesquisas:
O mesmo estudo do Cleveland Clinic Journal of Medicine lembra ainda que a idade, sozinha, influencia fortemente o risco e até supera outros fatores presentes em idosos. 3

Segundo estudo da American Heart Association, alguns idosos podem sofrer prejuízos quando a pressão sistólica é reduzida demais. A pesquisa descreve riscos em pessoas com estenose das carótidas ou com artérias rígidas, com pressão diastólica abaixo de 60 mmHg. De acordo com os autores, esse perfil aumenta a chance de isquemia silenciosa e de AVC recorrente. 1
A mesma fonte explica que alguns idosos relatam sintomas de pressão baixa que não combinam com os números registrados na medição. Segundo o estudo, esse quadro pode ocorrer devido a erro no manguito, o que exige atenção profissional. 1
De acordo com o estudo da American Heart Association, as dietas com melhores resultados na prevenção do AVC são a dieta mediterrânea e as vegetarianas. A pesquisa descreve a dieta mediterrânea como rica em gorduras boas e com baixo índice glicêmico. O estudo relata que a versão suplementada com nozes reduziu em 46% os casos de AVC em cinco anos. 1
A mesma fonte explica que o avanço no entendimento da microbiota intestinal trouxe novas razões para evitar gemas de ovo e limitar carne vermelha. Segundo o estudo, esses alimentos favorecem a produção de substâncias que prejudicam os vasos e aumentam riscos, principalmente em pessoas com função renal reduzida. 1
A seguir, veja pontos essenciais para a prevenção primária citados pela pesquisa:
O estudo da American Heart Association já citado acima lembra que os anticoagulantes modernos, chamados DOACs, mudaram o tratamento da fibrilação atrial em idosos. A pesquisa relata que esses medicamentos apresentam resultados melhores que a varfarina e não aumentam de forma significativa o risco de sangramento quando comparados à aspirina. Segundo os autores, usar DOACs com mais frequência pode trazer benefícios importantes a idosos com fibrilação atrial. 1
A mesma fonte explica que vitaminas do complexo B reduzem o risco de AVC ao diminuir a homocisteína. O estudo mostra que o efeito protetor é maior em pessoas com mais risco. Ele também recomenda formas específicas de vitamina B12, como metilcobalamina ou oxocobalamina. 1
Segundo o estudo da American Heart Association, muitos idosos não recebem anticoagulantes, mesmo quando poderiam se beneficiar. A pesquisa relata que adultos mais velhos ganham mais proteção que pessoas jovens, mas ainda assim recebem menos tratamento. Ela cita um estudo canadense que encontrou uso muito baixo de varfarina entre pacientes que já tinham AIT ou AVC e poderiam usá-la. 1

De acordo com o Cleveland Clinic Journal of Medicine, diretrizes antigas de prevenção de AVC raramente incluíam idosos nos estudos. Isso gerou insegurança na prescrição de terapias eficazes, como anticoagulantes, por medo de efeitos adversos. 3
A mesma fonte citada acima explica que idosos enfrentam desafios como múltiplas doenças, dificuldade para se locomover e acesso limitado a serviços especializados. Esses fatores dificultam tanto a prevenção quanto o tratamento adequado. 3
De acordo com o estudo do PLOS ONE, a carga do AVC isquêmico continuará aumentando entre pessoas com mais de 60 anos. Ele também estima que novos casos, mortes e anos vividos com incapacidade aumentarão mais de duas vezes. 2
Ainda segundo o estudo, o impacto permanece alto apesar da queda nas taxas ajustadas por idade. A pesquisa destaca diferenças importantes entre regiões e níveis socioeconômicos. Os autores concluem que fortalecer sistemas de saúde e incentivar hábitos saudáveis são medidas essenciais para reduzir esse peso futuro. 2
Os estudos apresentados mostram que grande parte dos casos de AVC em idosos pode ser evitada. As pesquisas reforçam a importância de acompanhar fatores de risco, ajustar tratamentos e adotar hábitos saudáveis. A prevenção funciona melhor quando considera as necessidades individuais, principalmente no envelhecimento. O apoio de familiares e cuidadores também ajuda muito no cuidado diário e na identificação de sinais de alerta. 1, 2, 3
1- American Heart Association / American Stroke Association. Stroke Prevention in Older Adults: Recent Advances. Stroke. 2020.
https://www.ahajournals.org/doi/pdf/10.1161/STROKEAHA.120.031707
2- PLOS ONE. Global burden of ischemic stroke in adults aged 60 years and older from 1990 to 2021: Population-based study. 2025.
https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0322606
3- Cleveland Clinic Journal of Medicine. Preventing ischemic stroke in the older adult. 2005.
https://www.ccjm.org/content/ccjom/72/10_suppl_3/S14.full.pdf
ALLSC-BR-000854
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