Blog / AVC e diabetes: qual a relação entre as duas doenças?

AVC e diabetes: qual a relação entre as duas doenças?

O diabetes aumenta significativamente o risco de AVC, dificulta a recuperação e está ligado a maior mortalidade, sobretudo quando o controle glicêmico é inadequado.

Nos últimos anos, tanto o diabetes quanto o acidente vascular cerebral (AVC) vêm crescendo de forma alarmante em todo o mundo. Esses dois problemas de saúde representam desafios sérios e interligados para os sistemas de saúde pública. Não apenas afetam milhões de pessoas, como também se associam a altos índices de mortalidade e incapacidade. 1, 2, 3

De acordo com estudo publicado no Journal of Stroke, pessoas com diabetes têm de 2 a 6 vezes mais risco de sofrer um AVC. Esse risco se torna ainda mais elevado em pessoas mais jovens, em pacientes com pressão alta e naqueles que já apresentam outros problemas nos vasos sanguíneos. Além disso, quando um paciente diabético sofre um AVC isquêmico agudo, o tipo mais comum, ele tem maiores chances de morrer ou de ficar com sequelas graves. Também responde pior ao único tratamento aprovado pelo FDA, o ativador do plasminogênio tecidual intravenoso, que é usado para dissolver coágulos e tentar restaurar o fluxo sanguíneo cerebral. 1

A mesma fonte ainda destaca que essas duas doenças compartilham muitos fatores de risco, como hipertensão e colesterol alto, além de afetarem os vasos sanguíneos de maneira semelhante. Isso explica por que o diabetes mellitus é considerado um fator de risco bem estabelecido para o AVC e por que pacientes diabéticos costumam ter piores desfechos após um evento cerebral. 1

Complementando essas evidências, o estudo da Neurology afirma que cerca de 30% a 40% dos pacientes que chegam com AVC isquêmico agudo apresentam hiperglicemia. Essa elevação da glicose no sangue está associada a uma recuperação mais difícil, maior gravidade dos sintomas e aumento da mortalidade. 3

Como o diabetes aumenta o risco de AVC? 1

O diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2 afeta a saúde dos vasos sanguíneos de diversas formas. A hiperglicemia constante, característica da doença, desencadeia uma série de reações no organismo que tornam o sistema vascular mais vulnerável a danos. 1

Segundo o Journal of Stroke, o excesso crônico de glicose gera estresse oxidativo, um processo em que há excesso de radicais livres no corpo, e ativa receptores que reconhecem os chamados produtos finais de glicação avançada. Esses produtos se acumulam no organismo de quem tem diabetes e provocam inflamações nas paredes dos vasos sanguíneos. 1

Esses mecanismos ativam genes inflamatórios, como o NF-kB, que aumentam a produção de interleucina-1 e outras substâncias pró-inflamatórias. Isso leva à disfunção do endotélio, que é o revestimento interno dos vasos. Com o tempo, o endotélio danificado favorece a formação de placas de gordura nas artérias. A combinação entre inflamação crônica, estreitamento dos vasos e maior rigidez arterial acaba criando o cenário ideal para o surgimento de um AVC isquêmico. 1

Risco de AVC: o que dizem os estudos populacionais 3

Estudos populacionais amplos ajudam a entender melhor a relação entre diabetes e risco de AVC. Essas pesquisas analisam milhares de pessoas ao longo do tempo e mostram que o tipo de diabetes e o grau de controle da glicemia influenciam diretamente o risco de sofrer um evento cerebrovascular. 3

  • Um estudo sueco com mais de 33 mil pacientes com diabetes tipo 1 revelou que o risco de AVC isquêmico foi 2,5 vezes maior em comparação com pessoas sem diabetes. Já o risco de AVC hemorrágico, que é menos comum, foi 1,9 vezes maior. 3
  • Em relação ao diabetes tipo 2, um grande estudo populacional com mais de 450 mil participantes apontou um risco 1,4 vezes maior de AVC isquêmico. Além disso, pacientes com níveis mais altos de HbA1c (hemoglobina glicada) apresentaram risco ainda maior. 3
  • Outro achado importante é que o risco de AVC cresce conforme a HbA1c aumenta. Em pessoas com diabetes tipo 2, cada aumento de 1% nesse marcador se associa a um aumento de 17% no risco de AVC. 3

Esses dados reforçam a importância de manter a glicemia sob controle como medida fundamental de prevenção primária e secundária do AVC. 3

Subtipos mais comuns: AVC lacunar e doenças de pequenos vasos 1

Entre os diversos tipos de AVC isquêmico, o subtipo lacunar merece destaque quando se trata de pacientes com diabetes. Esse tipo de AVC afeta os pequenos vasos que irrigam áreas profundas do cérebro e está fortemente associado à hipertensão e à hiperglicemia crônica. 1

O estudo do Journal of Stroke destaca que a combinação entre glicemia elevada e pressão alta favorece um processo chamado lipohialinose. Essa condição danifica as paredes dos pequenos vasos cerebrais, levando à formação de lesões lacunares. 1

Esses pequenos infartos podem não causar sintomas de imediato, mas, com o tempo, comprometem funções motoras, cognitivas e sensoriais. A detecção precoce e o controle rigoroso dos fatores de risco são essenciais para prevenir esse tipo de lesão cerebral silenciosa. 1

Impacto da hiperglicemia durante o AVC: pior prognóstico 1

Ter níveis altos de glicose no sangue no momento do AVC piora significativamente o desfecho do paciente. Isso acontece porque a hiperglicemia ativa mecanismos que aumentam os danos no cérebro. 1

De acordo com o Journal of Stroke, a glicemia elevada intensifica a inflamação cerebral, eleva o estresse oxidativo e reduz o fluxo sanguíneo nas áreas ao redor da lesão. Além disso, estimula a entrada de cálcio nas células nervosas, o que pode agravar a morte celular. 1Outro ponto relevante é que a glicose alta ativa enzimas como a MMP-9, que danifica a barreira hematoencefálica. Essa barreira protege o cérebro contra substâncias nocivas, e sua quebra facilita o aparecimento de edema cerebral e mais inflamação. Por isso, controlar a glicemia durante um AVC é fundamental para melhorar as chances de recuperação. 1

Recorrência de AVC em diabéticos: fatores de risco e prevenção 2

Pacientes com diabetes tipo 2 que já tiveram um AVC isquêmico correm maior risco de sofrer um segundo evento. Um estudo chinês acompanhou pacientes ao longo de 36 meses e identificou os principais fatores ligados à recorrência. 2

  • A ausência de atividade física quase triplica o risco de um novo AVC. 2
  • A não adesão à terapia hipoglicemiante aumenta em 70% a chance de recorrência. 2
  • Ter frequência cardíaca elevada no momento da internação também contribui para esse risco. 2

Esses achados reforçam a importância de manter uma rotina ativa, seguir corretamente o tratamento medicamentoso e fazer um acompanhamento médico contínuo. A adoção de hábitos saudáveis atua como uma proteção adicional contra a progressão do AVC em pacientes diabéticos. 2

O controle da glicemia como estratégia de prevenção 2, 3

Manter a glicose sob controle é uma das principais medidas para prevenir tanto o primeiro AVC quanto sua recorrência. 2, 3

De acordo com a Frontiers in Aging Neuroscience, a hiperglicemia aumenta o risco de morte por AVC em 87% nos primeiros 30 dias, 75% após um ano e 41% após seis anos do evento. 2

Além disso, ela também está associada a uma chance 2,5 vezes maior de ter outro AVC em até 90 dias. 2

A pesquisa da Neurology indica que níveis de HbA1c acima de 6,9% aumentam de forma significativa o risco de eventos cerebrovasculares. A cada elevação adicional, o risco também cresce. Por isso, as diretrizes atuais recomendam metas individualizadas de controle glicêmico, considerando o tipo de diabetes, idade e presença de outras doenças. 3

Combinar esse controle com o uso de estatinas e medicamentos para pressão arterial pode reduzir em até 25% o risco de novos AVCs. 3

O que o paciente e o profissional de saúde precisam saber 1, 2, 3

A relação entre diabetes e AVC é bem documentada e exige atenção constante de pacientes e profissionais de saúde. O diabetes representa um fator de risco independente para AVC, o que significa que seu controle pode evitar muitos casos. 3

O Journal of Stroke explica que as alterações metabólicas provocadas pela doença, como glicemia elevada, resistência à insulina e excesso de ácidos graxos livres, afetam diretamente os vasos sanguíneos, provocando aterosclerose e aumentando o risco de eventos como o AVC isquêmico. 1

Já o artigo da Neurology reforça que o controle rigoroso da glicemia, a adoção de hábitos saudáveis e o acompanhamento com equipe multiprofissional devem ser pilares da prevenção. Estratégias de educação em saúde, adesão ao tratamento e monitoramento regular fazem toda a diferença na redução dos impactos do AVC em pessoas com diabetes. 3


Referências

1- Journal of Stroke / Korean Stroke Society. Diabetes and Stroke: What Are the Connections? 2023. https://j-stroke.org/upload/pdf/jos-2022-02306.pdf. Acesso em Out. 2025.

2- Frontiers in Aging Neuroscience. Thirty‑six months recurrence after acute ischemic stroke among patients with comorbid type 2 diabetes: A nested case‑control study. 2022. https://www.frontiersin.org/journals/aging-neuroscience/articles/10.3389/fnagi.2022.999568. Acesso em Out. 2025.

3- Neurology. 2025. https://www.neurology.org/doi/pdf/10.1212/WNL.0000000000213480. Acesso em Out. 2025.


Out/25 | ALLSC-BR-000750 – Material destinado a fins educacionais

FALE CONOSCO

Entre em contato conosco através deste formulário

    Política de Privacidade

    Controlador de dados: Ipsen Pharma SAS (dataprivacy@ipsen.com). Suas informações pessoais serão processadas apenas para os fins legítimos da Ipsen, ou seja, ter uma interação melhor com você. Suas Informações Pessoais não serão vendidas, compartilhadas ou de outra forma distribuídas a terceiros sem o seu consentimento, exceto quando formos obrigados a fazê-lo devido a uma lei aplicável, ordem judicial ou regulamento governamental, ou se tal divulgação for necessária em apoio a qualquer investigação criminal ou outra legal ou processo aqui ou no estrangeiro. Você tem o direito de acesso, correção, exclusão, restrição e objeção ao uso de suas Informações Pessoais.​