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Estudos recentes mostram que o consumo de adoçantes artificiais, como os presentes em refrigerantes diet, pode estar ligado a um maior risco de AVC e problemas no coração
Nos últimos anos, os adoçantes artificiais viraram uma escolha comum para quem quer cortar calorias e evitar o açúcar. Eles estão em tudo: desde iogurtes e biscoitos até os populares refrigerantes diet. Parecem uma solução perfeita: oferecem o sabor doce sem as calorias do açúcar. Mas será que eles são mesmo seguros? 3
Pesquisas recentes começaram a levantar dúvidas. Cientistas investigaram se esses compostos poderiam trazer riscos à saúde, especialmente para o coração e o cérebro. Os resultados chamam atenção: alguns estudos mostram uma ligação entre o consumo de adoçantes e um maior risco de doenças cardiovasculares, como o acidente vascular cerebral (AVC). Esses achados têm preocupado especialistas e acendido um alerta importante para o público e para autoridades de saúde. 3
Adoçantes artificiais são substâncias químicas que imitam o sabor do açúcar, mas praticamente não têm calorias. Alguns dos mais comuns são o aspartame, a sucralose e o acessulfame de potássio. Eles aparecem em milhares de alimentos e bebidas no mundo todo, especialmente em refrigerantes diet, produtos “zero” e alimentos ultraprocessados. 3

Esses compostos foram criados para oferecer uma alternativa ao açúcar comum. A ideia é ajudar a reduzir a ingestão calórica e combater problemas como obesidade e diabetes tipo 2. Com isso, muitos consumidores passaram a usá-los em busca de uma alimentação mais “leve”. Além disso, muita gente usa adoçantes de mesa no café ou no suco, no lugar do açúcar tradicional. 1
Uma grande pesquisa francesa, chamada NutriNet-Santé, acompanhou mais de 100 mil pessoas durante 12 anos. Os pesquisadores compararam quem consumia mais adoçantes com quem quase não usava. O resultado chamou atenção: quem usava mais adoçantes artificiais teve 18% mais risco de sofrer doenças cerebrovasculares, como o AVC. 1
Entre os compostos analisados, o aspartame foi o mais relacionado ao risco de derrame. Quem consumia grandes quantidades tinha 17% mais chances de sofrer AVC do que quem não usava. Já a sucralose e o acessulfame de potássio estavam ligados a problemas nas artérias do coração, como infarto. 1
Esses dados foram ajustados levando em conta o peso, a alimentação e o estilo de vida dos participantes. Mesmo assim, os resultados continuaram firmes, mostrando que o consumo de adoçantes pode, sim, ter um impacto direto na saúde do coração e do cérebro. 1
Boa parte dos adoçantes consumidos vem das bebidas, especialmente dos refrigerantes diet. No estudo francês, 53% de toda a ingestão de adoçantes artificiais vinha dessas bebidas. Outros 30% vinham de adoçantes de mesa e 8% de laticínios como iogurtes adoçados artificialmente. 1
Apesar de parecerem opções “mais saudáveis”, os refrigerantes diet estão ligados a um aumento no risco cardiovascular. E isso vale não só para as bebidas, mas também para alimentos sólidos adoçados artificialmente. Os riscos se mantêm mesmo quando os adoçantes estão em sobremesas, bolos ou outros alimentos. 1
Veja os dados:
Uma análise ainda maior, que reuniu dados de 103 estudos, incluindo 51 coortes e 52 ensaios clínicos, trouxe resultados parecidos. Essa revisão analisou a relação entre adoçantes artificiais e várias doenças. 2

O destaque ficou para o risco de AVC, que foi 54% maior entre os consumidores regulares de adoçantes não calóricos. Além disso:
Mesmo quando os pesquisadores consideraram o peso, o fumo, a atividade física e outras doenças, os resultados continuaram significativos. Isso mostra que a relação entre os adoçantes e os problemas de saúde pode ser direta, e não apenas resultado de outros hábitos prejudiciais. 2
Ainda não se sabe exatamente como os adoçantes artificiais afetam a saúde cardiovascular. Mas a ciência já aponta alguns caminhos possíveis.
Os principais mecanismos sugeridos incluem:
Outro ponto importante é que, ao estimular receptores de sabor doce, esses compostos enganam o corpo. O organismo reage como se estivesse recebendo açúcar, ativando processos metabólicos mesmo sem calorias. Isso pode confundir o sistema de regulação de energia e causar desajustes a longo prazo. 1
Um estudo recente, publicado na revista científica Cell Press, trouxe mais uma peça para esse quebra-cabeça. Os cientistas alimentaram camundongos com doses equivalentes a três latas de refrigerante diet por dia. Após 12 semanas, os animais mostraram aumento nos níveis de insulina e acúmulo de gordura nas artérias, sinais clássicos de aterosclerose, uma das causas do AVC e do infarto. 3
Os pesquisadores descobriram que o excesso de insulina ativava uma molécula chamada CX3CL1, ligada à inflamação nos vasos sanguíneos. Quando essa molécula foi retirada dos camundongos, as placas de gordura deixaram de se formar, mesmo com o consumo de aspartame. Isso sugere que a CX3CL1 pode ser uma peça importante na ligação entre adoçantes e doenças cardiovasculares. 3
Embora o estudo tenha sido feito em animais, ele ajuda a entender como os adoçantes podem interferir no funcionamento do corpo de forma mais profunda do que se imaginava. 3
Diante de tantos dados preocupantes, órgãos como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) estão reavaliando a segurança dos adoçantes artificiais. 1
Por outro lado, representantes da indústria afirmam que os estudos em humanos ainda não comprovam efeitos diretos desses compostos na saúde cardiovascular. Segundo nota da ABIAD, associação que representa fabricantes de adoçantes no Brasil, os ensaios clínicos mostram que o aspartame não afeta indicadores como pressão, colesterol ou glicemia. 3
No entanto, uma revisão apontou que muitos estudos favoráveis aos adoçantes são financiados pela própria indústria. Isso levanta preocupações sobre possíveis conflitos de interesse, o que exige cautela na hora de analisar os resultados. 1
Adoçantes artificiais podem parecer uma alternativa segura ao açúcar, mas os estudos mais recentes mostram que seu uso frequente pode aumentar o risco de AVC e outros problemas cardíacos. Os dados são especialmente fortes para quem consome refrigerantes diet com regularidade.
A melhor estratégia é moderar o uso desses produtos. Trocar o refrigerante por água, chás naturais ou sucos sem adição de adoçantes pode ser um bom começo. Além disso, uma alimentação mais natural, baseada em frutas, legumes e alimentos minimamente processados, é sempre a melhor escolha.
As autoridades de saúde devem seguir acompanhando as evidências e informar a população de forma clara. E nós, consumidores, devemos buscar o equilíbrio: nem açúcar em excesso, nem excesso de adoçantes.
1- NutriNet‑Santé (France). Artificial sweeteners and risk of cardiovascular diseases: results from the prospective NutriNet‑Santé cohort. 2022. Link: https://www.bmj.com/content/378/bmj-2022-071204.full.pdf. Acesso em Nov. 2025.
2- Li B, Yan N, Cui M et al. Consumption of sugar‑sweetened beverages, artificially sweetened beverages and fruit juices and risk of type 2 diabetes, hypertension, cardiovascular disease, and mortality: A meta‑analysis. Frontiers in Nutrition. 2023. Link: https://www.frontiersin.org/journals/nutrition/articles/10.3389/fnut.2023.1019534/full. Acesso em Nov. 2025.
3- InfoMoney. Adoçantes em refrigerantes diet podem aumentar risco cardíaco, aponta novo estudo. 2024. Link: https://www.infomoney.com.br/saude/adocantes-em-refrigerantes-diet-podem-aumentar-risco-cardiaco-aponta-novo-estudo. Acesso em Nov. 2025.
Dez/25 | ALLSC-BR-000838 | Material destinado para fins educacionais
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