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Com o aumento das temperaturas globais, entender os impactos do calor extremo na saúde se tornou essencial, inclusive quando se trata do risco de AVC
Nos últimos anos, ondas de calor se tornaram mais frequentes e intensas em diversas partes do mundo. Esse fenômeno climático vem sendo associado a um risco maior de problemas cardiovasculares e, em especial, de acidentes vasculares cerebrais (AVCs). 3
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o AVC continua sendo uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo, atingindo cerca de 15 milhões de pessoas por ano. Dessas, 5 milhões morrem e outras 5 milhões ficam com sequelas permanentes. 3
Estudos recentes vêm reforçando a ligação entre o aumento da temperatura e a incidência de AVC. Pesquisas apontam que fatores ambientais, como poluição, mudanças sazonais e calor excessivo, podem funcionar como gatilhos em pessoas vulneráveis. 3
O AVC ocorre quando o fluxo de sangue para uma parte do cérebro é interrompido. Ele pode ser isquêmico, quando há obstrução de uma artéria, representando cerca de 80% dos casos, ou hemorrágico, quando há sangramento cerebral, responsável por aproximadamente 20% dos casos. 3
Diversos fatores aumentam o risco de AVC. Os principais incluem hipertensão, diabetes, colesterol alto, sedentarismo, obesidade, tabagismo e consumo excessivo de álcool. Doenças cardíacas, como fibrilação atrial, também elevam significativamente esse risco. 3
Além desses fatores já conhecidos, estudos têm mostrado que o ambiente também pode influenciar. Mudanças bruscas de temperatura, como durante o verão, podem desencadear um AVC em pessoas com predisposição. 3

Um estudo feito na Alemanha analisou mais de 11 mil casos de AVC registrados entre os meses mais quentes, de maio a outubro, entre os anos de 2006 e 2020. A pesquisa examinou como a exposição a noites muito quentes, chamadas de “nocturnal heat exposure”, afeta o risco de AVC. Para isso, os cientistas criaram um índice chamado HNE (Hot Night Excess), que mede o excesso de calor noturno. 2
Segundo os dados, a exposição ao calor noturno extremo aumentou significativamente o risco de AVC. No início do período analisado (2006–2012), a média de casos atribuídos a noites quentes era de apenas dois por ano. Mas entre 2013 e 2020, esse número subiu para 33 casos por ano. 2
A pesquisa identificou ainda que alguns grupos foram mais impactados:
Esses dados mostram que o calor noturno não só prejudica o conforto, mas também representa um risco real e crescente para a saúde cerebral, especialmente entre os mais vulneráveis. 2
O corpo humano precisa manter uma temperatura estável, e para isso, durante o calor, ativa mecanismos como a sudorese e o aumento do fluxo sanguíneo na pele. Esses mecanismos, no entanto, podem causar desidratação, hemoconcentração e aumento da viscosidade do sangue, condições que favorecem a formação de coágulos e, portanto, o AVC isquêmico. 2
Além disso, noites quentes comprometem a qualidade do sono e alteram a termorregulação natural do corpo, o que pode aumentar ainda mais o risco cardiovascular. 2
Em pessoas com problemas como estenose nas artérias carótidas ou doenças cardíacas, o impacto do calor noturno é ainda maior. A hipoperfusão cerebral, ou seja, o fornecimento inadequado de sangue ao cérebro, pode se agravar, elevando a probabilidade de um evento vascular. 2
Outro ponto importante é o aumento da permeabilidade intestinal durante a exposição ao calor, que permite a entrada de toxinas na corrente sanguínea. Isso ativa respostas inflamatórias no organismo, criando mais um fator de risco para o AVC. 2

Nem todas as pessoas reagem da mesma forma ao calor. O estudo realizado na Alemanha apontou que certos grupos sofrem impactos mais severos durante as noites quentes. Mulheres, idosos e pessoas que já tiveram AVC leve estão entre os mais vulneráveis. 2
Além das características biológicas, o ambiente também influencia. Na Alemanha, por exemplo, apenas 4,7% das casas tinham ar-condicionado em 2017. Isso aumenta a exposição ao calor durante a noite e limita as possibilidades de controle térmico, especialmente para pessoas com menor acesso a recursos. 2
Com o avanço do aquecimento global, as noites extremamente quentes devem se tornar mais frequentes e intensas. Isso levanta preocupações reais sobre os efeitos das mudanças climáticas na saúde neurológica da população. 1
Um estudo realizado na China identificou uma forte relação entre altas temperaturas e o início de AVC isquêmico. Segundo os autores, o aquecimento global pode aumentar o risco de AVC em larga escala e reforça a necessidade de políticas públicas voltadas para a adaptação climática e a proteção da saúde. 1
A pesquisa também revelou que populações menos acostumadas ao calor, como as do norte da China, mostraram maior sensibilidade às altas temperaturas. Isso indica que a adaptação climática regional pode desempenhar um papel importante na prevenção de eventos cerebrovasculares. 1
Diante desse cenário, compreender os impactos do calor noturno sobre a saúde se torna urgente. A prevenção do AVC deve considerar não apenas os fatores médicos tradicionais, mas também os ambientais. 1
A boa notícia é que algumas atitudes simples ajudam a reduzir os riscos durante os dias (e noites) mais quentes:
1- Hidrate-se bem: Manter-se hidratado ajuda a manter o sangue com a viscosidade adequada e previne a formação de coágulos. 3
2- Evite exposição ao calor extremo: Sempre que possível, permaneça em locais frescos e sombreados nos horários mais quentes do dia. 3
3- Ventile bem os ambientes: O uso de ventiladores e climatizadores ajuda a manter a temperatura corporal mais estável, especialmente durante o sono. 3
4- Monitore a pressão arterial: Pessoas com hipertensão devem acompanhar a pressão com frequência, especialmente no verão. 3
5- Durma em local fresco: Uma boa noite de sono, em ambiente com temperatura amena, ajuda a evitar estresse térmico noturno. 2
6- Use roupas leves: Tecidos respiráveis facilitam a troca de calor com o ambiente e ajudam na termorregulação. 2
7- Acompanhe a saúde regularmente: Pessoas em grupos de risco devem manter acompanhamento médico, principalmente nos meses de calor intenso. 3
As evidências são fortes: o calor intenso, especialmente à noite, pode aumentar o risco de AVC, principalmente em grupos mais vulneráveis como idosos e mulheres. Medidas simples, como manter-se hidratado, dormir em ambientes frescos e monitorar a saúde, podem reduzir esse risco. Além disso, políticas públicas precisam considerar o impacto das mudanças climáticas na saúde cerebral da população.
A prevenção do AVC vai além do cuidado individual. Ela também depende de ações coletivas que protejam as pessoas dos efeitos adversos do clima extremo. 3
1- Fudan University (School of Public Health et al.). Hourly Heat Exposure and Acute Ischemic Stroke. 2024. Link: https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2815560. Acesso em Nov. 2025.
2- Helmholtz Zentrum München et al. Nocturnal Heat Exposure and Stroke Risk. 2024. Link: https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehae277. Acesso em Nov. 2025.
3- Curtin University (School of Population Health) et al. Association between ambient temperature and stroke risk in high‑risk populations: a systematic review. 2024. Link: https://www.frontiersin.org/journals/neurology/articles/10.3389/fneur.2023.1323224/full. Acesso em Nov. 2025.
Dez/25 | ALLSC-BR-000838 | Material destinado para fins educacionais
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